Vagas para profissionais em Mídias Sociais
Um levantamento realizado pelo site especializado em tecnologia Mashable revela que está crescendo a procura por profissionais especializados em Mídias Sociais.
De acordo com a pesquisa, ao contrário do que se pensa, essa nova plataforma de trabalho não é exclusiva apenas das agências de comunicação.
Segundo a empresa responsável pelo estudo, as oportunidades são mais comuns em multinacionais com sede no exterior.
A montadora Mazda, por exemplo, está procurando um Social Media Marketing.
A gravadora EMI está em busca de um Social Media Representative; a empresa de terceirização de infraestrutura Rackspace busca um Social Media Manager enquanto a empresa de eventos para negócios IIR abriu uma vaga para Diretor de Marketing em Novas Mídias.
De acordo com o levantamento, há também uma dúzia de empresas atrás de especialistas em Drupal, Flash, RSS e feeds, para uso das tecnologias em favor dos seus planos já estabelecidos.
Para a vaga anunciada na EMI, por exemplo, não é necessário qualquer conhecimento sobre música, setor de atuação da companhia ou marketing.
O essencial é que o candidato tenha afinidade com as novas ferramentas do mundo on-line e saiba onde e como usá-las em favor das estratégias corporativas.
No Brasil, essa transformação do mercado de trabalho ainda não ocorreu. Mas de acordo com a entidade responsável pela pesquisa, a tendência é que isso aumente e crie algumas funções dentro das companhias.
Concurso da Prefeitura de Governador Valadares com muitas vagas
A Prefeitura de Governador Valadares (MG) abre concurso para preencher 2.050 vagas em 18 cargos de nível fundamental, médio, técnico e superior.
Os salários podem variar de R$ 493,83 a R$ 1.113,88.
As oportunidades são para auxiliar de serviços públicos, agente de serviço público, artífice de serviço público, oficial de serviço público, assistente de administração, agente de administração, oficial de administração, técnico de nível médio, fiscal de nível médio, técnico em tributação, técnico superior de serviço público, agente de serviço de saúde, técnico de serviço de saúde, técnico superior de saúde, médico, professor municipal I, professor municipal II e pedagogo.
As inscrições só podem ser feitas exclusivamente pela internet por meio do site www.fumarc.com.br até as 22h de 11 de janeiro de 2010.
Quem não tem acesso à internet pode se cadastrar em computadores disponibilizados sem nenhum custo no Centro Vocacional Tecnológico (CVT), que fica na Rua Belo Horizonte 707, no Centro.
Horário de atendimento é das 8h às 17h30, em dias úteis.
Inscrições abertas para vagas de professor
A Prefeitura de Belo Horizonte, em Minas Gerais, abre nesta sexta-feira (6 ) as inscrições para 315 vagas de professor do ensino fundamental, de matemática e de educação física. As oportunidades exigem nível superior na área. Os aprovados receberão salários de R$ 1.473,76 para uma jornada de 22h30 semanais.
São 250 vagas para professor de 1º e 2º ciclos do ensino fundamental, 40 para professor de matemática e 25 para educação física.
Do total de ofertas, 32 são reservadas aos portadores de deficiência.
Inscrições
Para participar da seleção, basta acessar o site www.fumarc.org.br, até o dia 22 de novembro, e preencher o formulário de inscrição. O valor da taxa é de R$ 70.
Provas
Todos os concorrentes serão avaliados por meio de provas objetiva e de redação, marcadas para o dia 6 de dezembro.
Taxa de desemprego da Grande BH cai
A taxa de desemprego na Grande Belo Horizonte voltou a apresentar queda em setembro, atigindo percentual de 10,4% da população economicamente ativa. Em agosto, a taxa havia ficado em 10,9%. Segundo pesquisa da Fundação João Pinheiro, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), Dieese e Fundação Seade, em setembro, foram criados 19 mil postos de trabalho na região.
A maior parte foi gerada no setor de serviços, com 22 mil novas ocupações; seguido pelo comércio, com 9 mil vagas; construção civil, 4 mil; e outros setores, com 2 mil novos postos. Já a indústria cortou 18 mil empregos entre agosto e setembro deste ano.
O setor privado, 11 mil novas vagas com carteira assinadas foram criadas contra 4 mil sem carteira. Já no setor público, houve acréscimo de 7 mil vagas. Entre os autônomos, foram registradas 8 mil novas ocupações, enquanto entre os empregados domésticos, houve corte de mil vagas.
Em agosto, o rendimento médio do trabalhador da Grande Belo Horizonte ficou relativamente estável em relação a julho, ficandoem R$ 1.222. Já a massa de rendimento real dos ocupados cresceu 1%.
Vagas de emprego temporário no comércio
Com a aproximação do fim do ano começam as contratações temporárias. Grande parte da oferta de vagas é destinada ao comércio. E muitas vezes não é necessário ter experiência.
Estatisticamente entre 10% e 25 % das pessoas que são contratadas ficam no emprego.
As vagas são disputadas tanto por jovens quanto por pessoas mais velhas que já se aposentaram do mercado de trabalho, mas precisam complementar a renda.
Em entrevista ao programa Revista Brasil da Rádio Nacional, o vice-presidente de Relações Trabalhistas Sindicais da Associação Brasileira de Recursos Humanos, ABRH – Nacional, Carlos Pessoa, falou sobre os cuidados que os candidatos devem ter para garantir uma vaga temporária.
“A entrevista é fundamental, o candidato deve demonstrar interesse pelo trabalho.
Numa loja, por exemplo, o candidato deve mostrar que tem aptidão para vendas”, disse.
O vice-presidente da ABRH disse também que a experiência é uma vantagem na disputa por um emprego, mesmo temporário. Entretanto, a demanda por mão de obra faz com que as empresas deem chance também para os candidatos inexperientes.
“O que se observa mais, ainda nesta segunda-feira, é a experiência do candidato, mas nessa época de fim de ano aparecem oportunidades para quem não têm experiência, principalmente os jovens”.
Carlos ressaltou ainda que se o contratado tiver bom desempenho ele pode se tornar um empregado efetivo. “Tudo é importante nesse momento, é importante ele ser um bom funcionário, ter atitudes corretas. Essa é uma grande chance de seleção.
O empregado tem seis meses para mostrar serviço”.
As regras para os contratos temporários não são muito diferentes dos contratos efetivos.
A jornada de trabalho é em média de oito horas por dia, ou 44 horas semanais.
Os empregados têm todas as garantias trabalhistas, décimo terceiro e férias proporcionais e salários equivalentes ao dos empregados fixos.
Direitos regulamentados pela Lei 6.019, em vigor desde janeiro de 1974. Para as empresas, a vantagem está nos encargos sociais que são menores.
Petrobras vai abrir 243 mil novas vagas de emprego
A Petrobras vai investir de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões no treinamento de 243 mil profissionais até 2012 para servir a cadeia de suprimento que atenderá os projetos do pré-sal e o desenvolvimento tecnológico.
O anúncio foi feito ontem pelo presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. Ele também previu que a exploração de petróleo da camada vai gerar mais de 240 mil novos empregos até 2016.
Os profissionais a serem treinados, porém, já são funcionários da estatal e de outras empresas de cerca de 820 funções diferentes, com postos de trabalho em todo o Brasil. “Essas pessoas serão capacitadas não para a Petrobras, mas para a cadeia de suprimentos que vai nos atender”, explicou Gabrielli.
Os recursos para o treinamento virão de participações especiais (compensações financeira pagas pelas concessionárias de exploração de petróleo e gás natural) repassadas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Segundo Gabrielli, o programa envolverá cerca de 72 instituições, como universidades e escolas técnicas, e 3,5 mil cursos. A Petrobras já mobiliza também 29 redes temáticas em universidades, com participação de 500 pesquisadores.
“Estamos mobilizando fortemente o que existe no país.
Desde o soldador ao engenheiro especializado em tubulações”, disse Gabrielli. “Isso cria, fora da Petrobras, laboratórios de alto nível, tendo um impacto não somente sobre a Petrobras, mas também sobre a engenharia brasileira, sobre o desenvolvimento dos projetos e a pesquisa em geral do nosso país”, defendeu Gabrielli, que esta semana participou do seminário Pré-sal e o futuro do Brasil, promovido pelo Estado de Minas e Correio Braziliense, em Brasília.
A iniciativa da Petrobras de capacitar mão de obra para o pré-sal está alinhada ao pacote de incentivos que governo está preparando para a indústria nacional.
A previsão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que está encarregado de elaborar essa política industrial, é de que, no período de três anos, dois terços dos equipamentos para extrair o pré-sal sejam produzidos no Brasil. Para isso, será necessário oferecer condições de financiamento e tributação semelhantes aos principais concorrentes do Brasil nessa área, em especial à Coreia do Sul, líder na indústria naval.
A estimativa é de investimento de US$ 80 bilhões em 10 anos. Fora isso, a Petrobras tem um plano de investimentos de US$ 174 bilhões para os próximos cinco anos.
Para que o pacote de incentivos tenha os resultados esperados, Alberto Machado, diretor executivo da área de petróleo e gás da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), defende que as isenções tributárias e condições de financiamento especiais sejam estendidas para todos os elos da cadeia produtiva. “As empresas brasileiras têm uma grande produtividade mas, em alguns casos, acabam perdendo.
Primeiro, porque, quando há uma concorrência em que participam empresas brasileiras e estrangeiras, as empresas estrangeiras são exportadoras, e todo país quando exporta incentiva suas empresas com redução de impostos e taxas de juros às vezes até subsidiadas, e uma série de vantagens que as empresas nacionais, por estarem no mercado interno, nem sempre têm. E, mesmo quando têm, esse setor também não tem, em muitos casos, o incentivo permeando toda a cadeia.
Às vezes esse incentivo fica só no primeiro ou no segundo nível”, afirma. “Por exemplo, o fundo de marinha mercante empresta para o armador, o armador compra no estaleiro, mas nem sempre os benefícios do empréstimo do fundo de marinha mercante, que têm condições especiais até compatíveis com as condições existentes no mundo, migram para a cadeia produtiva toda. Então, o fornecedor dos equipamentos, o fornecedor das partes e peças que vão para os equipamentos acabam não tendo competitividade para participar desse crescimento”, explica.
INDÚSTRIA TEM POTENCIAL PARA ATENDER DEMANDA
Questionado se, obedecidas essas condições, a indústria nacional tem condições de atender a demanda do pré-sal, Alberto Machado é assertivo. “Sem dúvida alguma. Não é nenhum problema para a indústria atender a demanda.
É claro que nenhum país é autossuficiente, nenhum país quer vender 100%, mas ter uma participação representativa, significativa dos montantes que a Petrobras e as outras empresas de petróleo vão adquirir é muito importante”, ressalta. Em 2008, as vendas dos associados da Abimaq para o setor de petróleo e gás somaram cerca de R$ 9 bilhões, entre 10% e 15% de faturamento de R$ 72 bilhões do segmento.
Machado estima que esse percentual pode, no mínimo, dobrar.
Alguns setores já têm participação expressiva da indústria nacional, a exemplo da área de materiais submarinos (75%) e da fabricação de navios (65%). O executivo pondera que alguns equipamentos têm uma complexidade tecnológica restrita a poucos fornecedores e continuarão sendo importados. “Mas aquilo que puder ser feito no Brasil e tiver condições vai ser feito.
E o que o empresário precisa, de alguma forma, é ter uma noção de que forma esses investimentos vão ser distribuídos no tempo.
Se tem uma possibilidade e uma probabilidade clara de o investimento existir, aí é risco do negócio investir ou não. E eu não tenho dúvida que o empresário vai investir.”
O próprio presidente da Petrobras enfatizou várias vezes, durante o discurso de ontem, a necessidade de se aumentar a capacidade de produção da indústria brasileira de fornecedores de equipamentos para o setor de petróleo. “Precisamos combinar a aceleração de nossas compras com custos menores”, afirmou.
Em Minas Gerais, a Vallourec&Sumitomo Tubos do Brasil (VSB), que entrará em operação no início do ano que vem, em Jeceaba, na Região Central, produzirá duas linhas de tubos de aço.
Uma delas é tecnicamente denominada de tubos sem costura, voltados para a indústria petrolífera.
Com investimentos de R$ 3 bilhões na planta mineira, a empresa foi planejada antes do anúncio dos investimentos no pré-sal, mas é provável que a siderúrgica atenda pedidos da Petrobras, com a demanda elevada para tubos de perfuração.
A estatal brasileira é uma das clientes da Vallourec & Mannesmann, que fornece tubos sem costura para 40 países.
Infosys se instala em BH e prevê contratar até 220 pessoas
Puneet Gill, que liderou a entrada da companhia no México, irá comandar as operações no Brasil ao lado de Humberto Andrade
Pouco depois de a HCL anunciar sua chegada ao Brasil, outra indiana, a Infosys, confirma o início das operações no País com a abertura de um centro em Belo Horizonte (MG).
Antes de optar pela capital mineira, a companhia avaliou outras localidades, como Barueri, na região metropolitana de São Paulo, mas achou o custo muito elevado. Inicialmente, a sede mineira terá entre 70 e 80 funcionários, mas o número pode atingir 300 até o fim deste ano, como confirmou ao IT Web o indiano Puneet Gill, atualmente responsável pela firma no México e que irá liderar os trabalhos no Brasil ao lado de Humberto Andrade, chefe de desenvolvimento de negócios na América Latina.
Durante entrevista, os executivos mostraram-se pouco intimidados com a concorrência e afirmaram que querem contribuir para fazer do País um player global. “Nossa intenção é expandir o mercado, olhar como poderemos contribuir com a economia brasileira.
Queremos que a Infosys aja como uma empresa brasileira. Temos muito valor a agregar nesta indústria, compartilhar nossa experiência”, detalhou Gill.
Os executivos estão otimistas com relação às perspectivas da empresa no mercado brasileiro, embora não tenham aberto os nomes dos potenciais clientes que estão no foco da companhia – principalmente as empresas globais com presença forte no Brasil. Além disto, pelo tom da conversa, os esforços da Infosys, que é a segunda maior empresa de outsourcing na Índia, não estarão apenas em conquistar o mercado doméstico.
“Queremos criar oportunidades”, disparou Gill. “Olhamos para os clientes no Brasil, mas também queremos fora. A Infosys Brasil será um importante centro no mercado. Não há como dizer se exportaremos ou focaremos apenas no mercado local”, completou.
Para isso, eles estão cientes que enfrentarão forte concorrência, mas nada que os intimide. “A Infosys tem presença global muito forte e temos boas perspectivas.
O mais importante é que temos valor para os clientes, pois somos mais produtivos, somos competitivos e acreditamos que, neste mercado em particular, poderemos prover por aqui o que já entregamos globalmente”, contou Gill.
Andrade explicou que a companhia não abre os valores que estão investindo inicialmente, mas mencionou, ao lado do colega indiano, o treinamento dos funcionários como um dos pontos importante para o País, que ampliará sua mão-de-obra qualificada.
Além disso, ele confirmou que a cidade de São Paulo deverá ter uma representação da companhia, muito provavelmente um escritório de vendas. “Será necessário”, afirmou.
Andrade e Gill concordaram que houve demora na chegada ao Brasil, mas lembraram que a Infosys estuda o mercado latino americano desde 2006 e o México foi escolhido para ter o primeiro escritório da companhia na região.
Com forte presença mundial e uma potência no mercado indiano, a Infosys tem atualmente 103 mil funcionários globalmente e mais de 50 escritórios em diversos países. A companhia conta com cerca de dois mil clientes e registrou faturamento de US$ 4,6 bilhões no ano fiscal encerrado em 31 de março.
“Queremos conquistar novos clientes e parte da nossa estratégia é incluir o Brasil no mapa mundial de outsourcing. Vamos ficar por aqui”, encerraram, demonstrando que a empresa chegará por aqui com força total.
Em defesa ao “emprego verde” e da proteção ao trabalhador
Genebra (Suíça) – A pauta de recomendações definida nesta semana pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) – em meio à 92ª Conferência Internacional do Trabalho – deverá estimular a criação de políticas anticíclicas de estímulo ao crescimento e também o fortalecimento de redes de proteção social ao trabalhador afetado pela crise financeira.
A expectativa é da representante da OIT no Brasil, Laís Abramo.
Estão reunidos em Genebra, cidade sede de inúmeras entidades internacionais, cerca de 4 mil representantes de governos, de trabalhadores e de empresários em busca de respostas para o impacto da crise financeira sobre a empregabilidade.
O objetivo é discutir meios de proteger trabalhadores, famílias e empresas afetadas pela instabilidade econômica.
Dentre as estratégias a serem consideradas pelos países membros da organização em tempos de instabilidade econômica, Laís citou investimentos em seguro-desemprego, políticas de salário mínimo e programas de transferência de renda.
Para ela, que acompanhou o desenrolar das discussões desde a abertura do encontro, no último dia 3, o documento final deverá destacar ainda “uma atenção redobrada” aos direitos humanos no âmbito do trabalho, de modo a coibir ou pelo menos reduzir os índices de trabalho infantil e de trabalho forçado e degradante.
Outro ponto que, segundo Laís, será abordado pelo relatório da OIT trata da “preocupação ambiental” por meio de estímulo aos chamados “empregos verdes”.
Ela acredita que esta pode ser parte da resposta aos reflexos da crise – desde que acompanhada de mecanismos de diálogo social entre governo, empregadores e trabalhadores.
Sobre os temas de maior destaque na conferência – HIV/aids e igualdade de gênero no universo do trabalho – Laís considerou as discussões “fundamentais”, uma vez que o local de trabalho deve funcionar como um ambiente de divulgação e de prevenção.
“O problema da discriminação por HIV/aids pode ser tão grave quanto a própria doença. Já a igualdade de gênero é um tema transversal, fundamental em uma agenda do trabalho decente”, disse.
Ao comentar o cenário apresentado pela América Latina, ela ressaltou também a discussão sobre trabalho e família por meio da ideia – voltada, sobretudo, para o empregador – de como agir com responsabilidade social.
“A crise é um problema que afeta as condições de trabalho, e a OIT vem dizendo que, além de manter os níveis de emprego e desemprego, é fundamental manter a preocupação com a qualidade do trabalho e evitar o processo de precarização.”
Regulamentação do emprego doméstico
O governo vai apresentar um projeto de lei no segundo semestre para regulamentar a situação de cerca de 6 milhões de empregadas domésticas no Brasil que trabalham sem carteira assinada. O debate em torno de um projeto já vem ocorrendo desde 2006.
Segundo o Ministério do Trabalho, existem cerca de 7 milhões de empregadas domésticas no país hoje. Dessas, apenas um milhão está em situação regularizada. No fim de 2008, o governo estudava um projeto que tornaria obrigatório o recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de 8% sobre o salário de empregados domésticos.
O projeto de lei criará mecanismos para incentivar famílias a registrar empregadas, pagando contribuições sociais e outros benefícios. Já a resistência ao projeto alerta que a pressão por uma formalização poderia ter um impacto inverso, já que um custo maior poderia significar mais demissões.
Os dados da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas apontam que a classe quase duplicou em menos de dez anos. Segundo a entidade, o número de empregadas domésticas hoje no país chegaria a 9,1 milhões. Em 2001, era de 5 milhões. Cerca de 80% desses trabalhadores são negros e 94% são mulheres.
Os indicadores apontam que o salário médio de uma doméstica não passa de 1,2 salário mínimo. Em alguns Estados, a renda é maior. Mas, mesmo assim, não supera a marca de 2,5 salários mínimos.
Cresce a utilização de planos de saúde
O medo de perder o emprego, que se instalou em diversos segmentos da economia com a crise, está provocando corrida aos planos de saúde. Inseguros sobre a permanência na empresa, trabalhadores conveniados a planos coletivos têm aumentado a frequência nos consultórios médicos, laboratórios e mesas de cirurgias, uma forma de colocar a saúde em dia diante da ameaça de ficar sem trabalho e, consequentemente, sem o plano oferecido pela empresa.
De acordo com pesquisa da Aon Consulting, após o estouro da crise, houve alta de 9,3% no número de exames e de 8,6% no de consultas médicas. Uma corrida que pode terminar até em reajustes maiores dos planos.
O levantamento foi realizado com 120 mil beneficiários no período de novembro de 2008 a fevereiro deste ano, em comparação a novembro de 2007 a fevereiro de 2008. “Esse crescimento em momentos de crise é histórico.
Com medo de perder o emprego e o plano, o beneficiário antecipa procedimentos.
A hérnia com que o usuário convivia há anos passa a ser prioridade absoluta. Ele não quer correr o risco de ter de procurar o SUS mais tarde.
Também há mais check-ups”, aponta a presidente da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas) e diretora de Saúde do Fundo de Pensão da Sabesp, Yolanda Ramos.
Segundo ela, a Unidas ainda não tem balanço de 2009, mas não há dúvidas sobre o crescimento da taxa de utilização. Na Sabesp, de acordo com Yolanda, o volume de consultas subiu 35% no comparativo entre março deste ano e o mesmo mês de 2008. Para os exames, a alta foi maior, de 46%.
O presidente da Central Nacional Unimed, Mohamad Akl,também credita à insegurança provocada pela crise o aumento da demanda por procedimentos médicos em 2009. “A instabilidade gera uma corrida.
Quem tem um colega demitido pensa: ‘será que eu sou o próximo?’ O que seria feito nas próximas férias, por exemplo, é antecipado, não só pelo titular, mas por toda a família”, comenta.
Mas não são apenas as preocupações que têm enchido consultórios e laboratórios.
O diretor presidente da Matermed, José Leal Domingues Filho, conta que, além do volume maior de demanda, gerado pela insegurança, a crise tem um efeito nocivo, de fato, na saúde dos trabalhadores ameaçados pelo desemprego.
“Percebemos, principalmente entre os empregados com idade de 18 a 40 anos, um grande aumento da incidência de doenças como gastrite, úlcera duodenal e esofagite. Também há aumento da hipertensão e da angina.
O volume desses atendimentos praticamente dobrou em consequência da tensão e da ansiedade”, relata Leal, que também destaca um aumento na prescrição de psicotrópicos.
Plano muda perfil e corta gasto
O aumento da utilização dos procedimentos médicos no final de 2008 e início deste ano, e consequentemente, dos custos da saúde suplementar, vai estar – inevitavelmente – na mesa de negociação entre empresas e operadoras em 2009.
Para os representantes e players do setor, no entanto, aumentos acima da inflação devem ser inviabilizados pelo ambiente de desaquecimento econômico.
Para fechar as contas, a estratégia deve ser redesenhar os planos, mudando o padrão de atendimento (apartamento X enfermaria) e o tamanho da rede de assistência, e intensificar uma modalidade que já vem em franco crescimento, os planos co-participativos, em que o usuário arca com um percentual dos custos de cada procedimento que utiliza.
“As empresas que compram os planos estão sofrendo com a crise.
Por isso, a tendência é de uma diminuição dos benefícios.
Pode ser uma alteração no padrão de conforto, de apartamento para enfermaria, por exemplo, ou a utilização de uma rede credenciada menor, priorizando hospitais e clínicas próprias”, avalia o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Arlindo Almeida.
Na SulAmérica, segundo o vice-presidente corporativo de Relações com Investidores, Arthur Farme d’Amoed Neto, houve um crescimento da sinistralidade de 5,3 pontos percentuais entre o primeiro trimestre deste ano e o mesmo período do ano passado. “Saímos de 73,3% para 78,6%”, relata Neto.
Ele aponta o rigoroso controle de custos da SulAmérica como forma de amenizar o baque do aumento da sinistralidade.
“Temos contratos de pacotes de procedimentos por preço fixo com hospitais e laboratórios por períodos de tempo, em geral de seis meses a um ano. Também temos processos automatizados para acompanhar custos e contas médicas. Nosso dever é manter os custos sob controle”, argumenta o vice-presidente de RI.
Ele destaca que o aumento da frequência de uso se traduz, automaticamente, em expansão de custos e aumento da sinistralidade, o que tem impacto direto nos reajustes.
Diferentemente dos planos individuais, em que o reajuste é definido pela Agência Nacional de Saúde (ANS), nos planos coletivos há livre negociação entre empresas e operadoras no aniversário do contrato.
A sinistralidade, percentual da receita apurada pelas operadoras utilizado para o custeio de procedimentos médicos, serve de base para o reajuste.
Quando uma operadora diz que apurou um índice de sinistralidade de 75%, quer dizer que de cada R$ 100 recebidos, R$ 75 foram gastos com despesas médicas. Tradicionalmente, as despesas administrativas representam cerca de 10%.
“Em geral, a maioria dos contratos prevê o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M). Se a sinistralidade cresce muito, o reajuste pode superar o IGP-M. A questão é que em um ambiente de crise as empresas dificilmente aceitarão reajustes acima do IGP-M”, aponta o gerente geral da Good Life, Luiz Quadros.
O gerente geral conta que a sinistralidade média na Good Life saltou de 64% no primeiro trimestre de 2008 para 68% no primeiro trimestre deste ano. “Cirurgias que eram pouco utilizadas nessa época do ano cresceram.
As de varizes, por exemplo, saltaram de uma média de 100 para 113”, relata.
Outro fator que contribui para o aumento de custos, segundo Quadros, é o crescimento das demissões.
“É um importante fator de perda de receita. Com os desligamentos, o número de associados diminui.
Para suportar essas perdas, estamos buscando novos clientes por meio do nosso comercial. Muitas empresas estão buscando soluções mais em conta. Como temos produtos bastante competitivos temos conseguido compensar”, explica Quadros.
O gerente geral da Good Life explica que as empresas não cancelam seus planos de saúde em função de reajustes altos, mas vão ao mercado buscar novas cotações em busca de produtos mais acessíveis. “É aí que vemos uma oportunidade de negócios”, afirma.
Com cerca de 95% da carteira de clientes corporativos, a Good Life atende a mais de 500 empresas em Minas.
Para suportar o crescimento da demanda por atendimento em 2009, a operadora aumentou o número de posições no seu call center. “Hoje, praticamente todas as autorizações são feitas por telefone”, explica o gerente.
A diretora executiva da Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), Solange Beatriz Palheiro Mendes, lembra que hoje o item de segundo maior peso da folha de pagamento é a assistência à saúde.
“Por isso a necessidade de redesenhar os planos, em alguns momentos, para evitar aumentos excessivos. Mas é importante lembrar que esse redesenho acontece sempre de acordo com a conveniência do empregador. Em outra frente, as operadoras também devem ter de diminuir suas margens”, avalia.
O presidente da Central Nacional Unimed, Mohamad Akl, estima que a sinistralidade tenha subido de aproximadamente 80% em 2008 para 86% em 2009 dentro do sistema Unimed.
“Mas não está fácil negociar os reajustes com as empresas”, aponta, destacando que ganham força, em momentos como o atual, as ações preventivas e de monitoramento de doentes crônicos. “Fazemos acompanhamentos até para verificar se o paciente está utilizando o medicamento”, exemplifica.
Na Matermed, o índice de sinistralidade saltou de uma média de 60% em 2008 para 90% este ano. O presidente da operadora, José Leal, conta que a empresa aumentou o número de psiquiatras e está ampliando o trabalho preventivo de promoção à saúde.
“Também pedimos à ANS autorização para voltar a atender planos individuais. É uma opção para o caso de alguns clientes preferirem se desobrigar dos planos corporativos”, explica Leal, que também não vê espaço para reajustes superiores ao IGP-M.
Segundo a gerente administrativa da Matermed, Ester Soares Silva Nascimento, os próprios usuários revelam o motivo da antecipação de consultas e cirurgias.
“Eles relatam que não sabem se vão continuar na empresa e, por isso, querem remarcar os procedimentos para o mais cedo possível”, explica.
Além do receio da demissão, os próprios desligamentos contribuem para o aumento da utilização dos planos.
“Quando há uma dispensa, normalmente o convênio não é cortado imediatamente.
As empresas costumam manter o benefício por três meses, seis meses, até um ano. Nesses casos, também há uma preocupação do usuário de colocar a saúde em dia”, aponta o presidente da Abramge.
O ex-funcionário da Vale Orlando Benedito de Souza, 56 anos, conta que não pretende aumentar as visitas ao médico, em função da demissão, na semana passada, mas vai pedir à esposa que já marque um check-up, para se certificar de que não há problemas.
“Acho melhor ela já marcar de uma vez”, relata Souza, um exemplo do movimento de corrida aos planos. Demitido dentro da leva de aposentados e aposentáveis desligados na semana passada, Souza tem o plano de saúde assegurado pela mineradora até dezembro deste ano.
Participação do usuário deve crescer
A presidente da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas) e diretora de Saúde do Fundo de Pensão da Sabesp, Iolanda Ramos, também lembra que o dólar mais alto, verificado nos primeiros meses do ano, também pressionou os custos da saúde.
“Para se ter uma ideia, 40% dos materiais e medicamentos de uma internação hospitalar são importados”, pondera.
Para fazer frente à alta de custos, a presidente da Unidas aposta em uma aceleração do crescimento dos planos co-participativos.
“A co-participação, em que o beneficiário arca com um percentual dos custos do procedimento, não inibe o acesso, mas torna o uso do plano mais consciente. É uma maneira mais branda de cuidar dos custos, sem ter de mexer na rede ou no padrão”, pondera Iolanda Ramos.
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Seguro, Henrique Oti Shinomata, também vê a modalidade co-participativa como um moderador de utilização que deve ser intensificado nesse momento.
“Os estudos evidenciam que quando você compartilha o risco com o segurado, a utilização dos recursos médicos é melhor pensada, melhor utilizada”, pondera. Ele também observa que, quando os custos são compartilhados, é menor até a frequência de exames esquecidos no laboratório.
“Acho que a co-participação deve ser cada vez mais adotada, com forma de se evitar o excesso de utilização indevida”, opinaomata.
O gerente geral da Good Life lembra que há cerca de três anos quase não havia demanda por planos co-participativos.
“As empresas pensavam em atendimento global, e a modalidade não era bem aceita. Agora, o co-participativo vem crescendo.
É interessante, porque o valor fixo fica menor, o que minimiza o custo da empresa, e o funcionário só paga por aquilo que utiliza. Evita-se o desperdício”, defende Quadros. Na Good Life, os planos co-participativos são aproximadamente 30% da carteira.
Principal
